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27/11/08

A PELEJA DO TEIÚ COM A COBRA…

FONTE: *** TRIBUNA DA BAHIA.

Foi assim: seu Bijoux Medrado, que Deus levou para jogar dominó e dar muita risada ao seu lado, ele que era o rei das pedras e só dava de bomba de sena, famoso e respeitado lá pelas paragens de Madre-de-Deus, Paramana e Candeias, com fama de ganhador desde a Associação Atlética da Bahia, até Lauro de Freitas e Região Metropolitana de Salvador, estava em seu primeiro dia de trabalho, nos anos 60 passados. Jovem, curioso, com vontade de começar a ganhar seu próprio sustento. Mas, a curiosidade lhe criou o problema que relato a seguir.
Seguia ele pelas azaléias da Praça Cairu, pois hoje a praça não é mais identificada, e ninguém sabe ou presta atenção, porque foi totalmente descaracterizada e ou você está no Mercado Modelo e a praça ficou com este nome ou você está atravessando a rua para o Elevador Lacerda, que fez agora uma cacetada de anos, acho que foi na sexta ou sábado. Lá ia ele andando e desviando das cagadas dos passarinhos, pois eram tantos os oitizeiros e outras árvores, ali sendo final de linha dos ônibus da Cidade Baixa, que tinha pássaros de todos os tipos, cantos e cores.
Desvia a passos largos, apressado para subir o elevador e bater seu primeiro ponto quando um vendedor de ungüento grita lá do canto:
- É agora a luta do século. Venha pessoal. Venha ver a briga entre a malvada, pestilenta, traiçoeira e representante do Demo na Terra, a cobra cascavel, contra o esperto, ardiloso, sabido, treteiro e manhoso teiú.
E ele arrematava para deixar o cabra ainda mais curioso:
- Quem sairá ganhando? A cobra ou o teiú?
Os grupos iam se juntando, cada vez mais chegando gente para ver a luta do século, no passeio, nas proximidades do Elevador Lacerda e enquanto estava conclamando a presença de todos para o embate, mostrando numa gaiola um teiú que apresentava uma língua enorme e estava indócil frente à cobra, na outra gaiola e cobra se enroscando lentamente, revelando sua língua bifurcada e com aquela olhada típica de coisa do Satanás.
Claro que aquela altura a torcida era toda a favor do teiú. Quem de sã consciência gosta de cobra. Ninguém neste mundo. Eu mesmo odeio cobra e tenho verdadeiro pavor de barata, sem falar que rato me arrepia e não tem psicoterapia que dê jeito. Imagine naqueles tempos em que psicólogo era palavrão e psiquiatra era profissão de botar camisa de força nos malucos e levar lá para o Juliano Moreira, que nesse tempo ficava no Engenho Velho de Brotas e dar uma injeção de Ampliquitil, que, segundo dizem, faz cavalo ajoelhar e rezar.
Enquanto mantinha acesa a curiosidade do respeitável público, ele vendia remédio para secar calo, para curar tísica, para espinhela caída, para quem já tinha dobrado o Cabo da Boa Esperança, ou seja, era brocha, para unha encravada, custipiu, gogo e até erisipela. Podia-se escolher entre ungüento, pó ou garrafada. E seu Bijoux Medrado lá, esperando, siderado na cobra e no teiú, o tempo passando e nada da contenda, nada da peleja e o teiú cansou de encarar a cobra e a cobra cansou de se enrolar, fazer o bote e desenrolar e pegou no sono, provavelmente de sede e fome, até que de repente deu o estouro da boiada, pois um ladrão surrupiou a carteira de um dos ajudantes do biscateiro e foi um deus-nos-acuda.
Seu Bijoux então notou o atraso das horas, pegou o elevador e chegou esbaforido no escritório sendo logo recebido pelo patrão:
- Isso são horas, moço?
Seu Bijoux não sabia mentir, nem quando dava uma garfada no jogo de dominó, e explicou que estava hipnotizado. Que tinha sido hipnotizado pelo camelô que vendia remédio e ficara paralisado esperando a briga do teiú. O patrão nem quis mais conversa e o mandou embora.
No dia seguinte, depois de levar umas broncas do pai, lá estava ele de novo na porta do Elevador Lacerda esperando a briga do teiú com a cobra, que a essa altura já eram bichos amigos, íntimos mesmo e dali não sairia briga nenhuma. Foi então que viu do outro lado, paradão, esperando a briga, o patrão. Encostou do nada e perguntou:
- Tá hipnotizado, chefe?
O ex-quase-patrão na bucha:
- Que nada! Tô com os calos me matando. Vim comprar o remédio.
Bijoux ganhou o emprego de volta.

*** Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista. E-mail: jolivaldo.freitas@yahoo.com.br

criado por sardinha16    7:08 — Arquivado em: Sem categoria

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