Até quando é positivo estimular a fantasia da criança?
Para Celso Antunes, a criança saudável saberá separar a fantasia da realidade. “Até os seis anos de idade, a capacidade de imaginar é muito forte, depois diminui”, observa.
“À medida que se desenvolve, adquire a linguagem verbal e internaliza novos conteúdos, e a forma de lidar com a fantasia tende a mudar”, completa Simone Maciel, psicóloga do Centro Educacional Acalanto, no Rio de Janeiro.
Mas se uma criança de quatro anos vive no mundo da fantasia e tem dificuldade para aceitar a realidade, o estímulo para ela fantasiar deve ser menor.
Quais são os maiores ensinamentos que as crenças, mitos e seres imaginários podem passar às crianças?
Elas aprendem a lidar consigo mesmas e com o mundo, com questões essenciais como o bem e o mal; a morte, as diferenças, mas sem chocar. “A criança escuta histórias com heróis, monstros e cria outras com seus brinquedos. Já perceberam a seriedade de uma criança ao brincar?”, pergunta Lúcia Maria Teixeira Furlani, psicóloga, escritora e autora do livro infantil Tudo é possível – Incrível viagem no tempo (Editora Unisanta). “A fantasia é uma forma de representação indireta dos desejos e das experiências.”
A cegonha, hoje, praticamente desapareceu do imaginário infantil. É melhor resgatá-la ou contar que o bebê está dentro da barriga da mãe?
“A cegonha aparece como uma forma de afastar a criança de uma informação que, muitas vezes, os pais julgam não ser adequada ao filho”, frisa a psicóloga Simone Maciel. “Ocorre, na verdade, é que são eles que não se sentem preparados para sanar a dúvida: ‘de onde vêm os bebês?’.
Fomentar na criança a fantasia de que ela foi trazida por uma cegonha pode prejudicar a formação de sua identidade. Imagine crescer acreditando que foi desta forma que você veio ao mundo e, de repente, descobrir que não é verdade?
A partir daí, você pode passar a questionar outros assuntos sobre sua formação. Por isso, sempre que falamos sobre a história da criança e a identidade dela (nome, origem…), é importante lidar com a verdade, claro que com uma linguagem adequada para a idade.”
A criança não se sentirá traída ao descobrir que Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existem?
No tempo certo, ela irá entender que são apenas personagens e que só existem em nosso imaginário. “Não acredito que a criança se sinta enganada quando descobre que estas figuras não são reais. Elas vêm acompanhadas de todo um simbolismo e estão dentro de um contexto que permite tal fantasia. São figuras de ‘domínio’ popular, não fazem parte unicamente da vida de um indivíduo,” esclarece Simone Maciel.
Faz de conta que…
Basta visitar uma loja de brinquedos para ver que a variedade é imensa. Sem tirar o mérito desses objetos projetados para desenvolver uma série de habilidades e, é claro, para divertir, o prazer da brincadeira e do faz-de-conta está sendo deixado de lado.
“Pesquisas apontam que o consumo de brinquedos cresceu, mas não aumentou o número de brincadeiras como amarelinha e pular corda”, afirma a pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar e de Educação Infantil da PUC-SP.
“O aspecto negativo é que a criança hoje brinca mais com o brinquedo do que com os amigos.” Além de estimular as antigas (e saudáveis) brincadeiras, você pode dar uma força à imaginação e apimentar a fantasia do seu filho no período que antecede o Natal.
Veja algumas dicas:
- Monte um calendário de 1° a 24 de dezembro. A criança aguarda o “grande dia”, abrindo diariamente um saquinho diferente, com uma lembrança ou poesia, que o “Papai Noel” deixou.
- Separe histórias relativas ao tema Natal e leia uma por dia para seu filho.
- Escolha uma data e combine com o filhote a montagem da árvore de Natal.
- Incentive-o a desenhar cartões de Natal para enviá-los aos avós e tios.
- Selecione uma receita de biscoitos ou de um bolo e convide seu filho para preparar com você.
- Ajude-o a escrever uma carta ao Papai Noel. No site www.papainoel.com é possível mandar a mensagem eletrônica.